Viagens ao Inconsciente


20/07/2010


Marina, rendas e prendas

Comprometeu-se Marina com um sujeito que tinha sopro no coração. Acorrentada às suas lábias, a perspicata guria come seu fígado ao alho e óleo dia após dia. Todo visgo não era suficiente para prendê-la. O sujeito, já um tanto em desatino, passou a dedicar-se a arte da perfumaria. Achou que pudesse encontrar um odor que a hipnotizasse de tal modo que ela não mais desejaria luz de luar, sereno de rua, nem botequito algum para saracotear seus dotes aos olhares bêbados de anônimos felizes. O sujeito, que tinha aspecto esbelto, teria vindo há algum tempo da cidadezinha chamada Dog Ville. Escapara da chacina um pouco antes da tal denúncia  que levou os gangsters àquele ex-infeliz não lugar. Ter nascido em Dog Ville deu a ele uma alma um tanto exótica; embora a ironia lhe fosse respiração não dominava completamente o controle que tentava insistentemente ter sobre seu sentimento amoroso. Mas devemos ter o cuidado em traduzir esse amor de uma forma mais pessoal. Entenda-se, o sujeito tinha suas singularidades no experimentar o gozo libidinal. Marina não era a primeira que ele conseguiu um certo domínio. A coisa não funcionava se fosse fácil. Oferecia o seu fígado mas tinha que ter em troca o gozo. E aquela que se enredava aos seus dizeres, histórias, contos, lábias, e carícias mansas não poderia ficar tão entregue. Havia de ter uma tensão que fizesse alimentar o fel. A pólvora fora derramada em trilha até chegar bem perto do coração soprado do sujeito quando num dia frio Marina saiu pra comprar cigarros...

Escrito por nelson barroso às 20h42
[ ] [ envie esta mensagem ]
Busca na Web:

Perfil

Meu perfil
BRASIL, Sudeste, NITEROI, Homem

Histórico