Viagens ao Inconsciente


26/02/2010


...

Foi um espanto, verdadeiramente um susto, quando vi que as palavras podiam se combinar daquela forma, totalmente diferente de tudo que eu até então tinha pensado que fosse a serventia de alguma coisa, mas, vi que palavras não são coisas - pelo menos não são coisas como as coisas são. As palavras podiam fazer existir coisas, mas as coisas, em si, eram mudas deste poder - e talvez até da própria existência se não fossem as palavras.

Até então eu era um mero artífice; gostava de ajuntá-las de maneira bela;  gostava de ouvir os sons que elas produziam quando rimavam. Gostava até de admirar os tipos - os infinitos tipo de palavras que era possível montar com alguns poucos tipos de letras.

O susto! É sempre um suto que vem imediatamente ao espanto. Toda inauguração sublime tem esse toque do estranho qu é exatamente seu reconhecimento.

Quando Clarice pegou o lápis e pôs verbo no caos, chamou de Pai ao primeiro ato, ao que, seguiam-se reticencias...

Meus olhos arregalados se voltavam em reversão a olhar para si mesmos, e viram refletidas nas retinas a mais incrível combinação de palavras que dava vida a cosias tão díspares que nunca mais voltei a ter lógica no meu desejo: "O relógio acordou...sem poeira. O silêncio...zzzz. O guarda-roupa...roupa, roupa, roupa. ...havia uma orelha à escuta..." Uma ligação de três sons, "pela luz do dia  e pelo ranger das folhinhas da árvore que se esfregavam uma nas outras radiantes."

Até então eu pensava que palavras serviam para pedir alguma coisa, e depois para conversar. Falar do que se tinha feito durante o dia quando nos reuniamos em torno da mesa do jantar. Também achei que se prestava a enfeitar as pessoas que eu amava, assim como enfeiar aquelas que não me tinham respeito. Nunca eu poderia imaginar que com palavras as coisas pudessem respirar, guarda-roupa falar, luz do dia ligar, relógio acordar, minhoca espreguiçar antes de ser comida por galinhas. Esta frase, por exemplo, "Houve um momento grande, parado, sem nada dentro". O que mais dizer....

Escrito por nelson barroso às 20h02
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25/02/2010


Olhos....

Charfundei meu corpo nos afetos no afã do repouso merecido

Após tantos olhares

Que olhos não contêm tanta alma

Até um cão me confunde

Este órgão cego da entrada no mundo dos sentidos

Olho e vejo toda trama desfiando palavras nas coisas mudas

Em silêncio trasitam corpos em corpos em corpos que nunca saberei

O que sei?

Poeira das palavras em redemoinhos obscuros

Escrito por nelson barroso às 20h14
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