Viagens ao Inconsciente


13/12/2009


O Poço de Jaqueline

Eu sabia que o mundo inteiro tinha acontecido naqueles dias. Hoje, quando busco na lembrança; ou quando algum sinal me resgasta de lá, eu vejo a intensidade do acontecimento: a música alta do cd, e ela, tocando violão: outra música; outra cena. Só com isto eu poderia inventar o mundo: ela parecia desviar o sentido, mas: "ela quer sentido, mas ao mesmo tempo quer que esse sentido seja cercado de ruído...que o faça menos agudo." (Barthes, R.)

Quando se retira toda água de uma cacimba, diz-se: "esgotar". Esgota-se uma cacimba para que ela fique melhor. Para que seja retirada toda água saloba e nova água brote de seu fundo, lentamente, até que o poço venha a beira.

Quando ela disse que eu era um poço, uma alegria me cobriu; os sentidos falharam, e eu pensei num poço sem fundo...brincamos com isso, nos descobrimos a cada delicadeza...e ficamos com sede um do outro.

A água tem brotado e oxigenado o poço de vida nova...um tempo está inscrito no futuro, quando então poderemos nos deleitar nestas águas vivificadas por um amor que cresce a cada gota que ondeia no Poço de Jaqueline.

Escrito por nelson barroso às 20h07
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