Viagens ao Inconsciente


01/10/2009


Inexorável, o dia veio. Botou sua cara diante dos meus olhos e foi passando. Usei adjetivos e suportei seu olhar. Quando a noite chegou, acendi uma lâmpada. Olhei para trás. Fiquei vendo aquele dia se distanciando. Quantos mais passariam assim? O céu ainda azulado recebe as negras formas das árvores. Cigarras zoando um canto me levam de volta a infância. A cidade me salva da nostalgia me matando o tempo.

Na capa de um livro de Drummond encontro um tempo mais distanciado ainda. Penso: será que ainda há alguém que nostalgie esse tempo? Talvez não. Agora é a minha vez. Olho detidamente a gravura de um menino que olha em outra direção. Ele ficará ali por toda a eternidade. Sinto desejo de fazê-lo movimentar. Há um triciclo atrás dele. Suas rodas trazeiras são grandes e com aros presos a raios. A roda da frente é menor. O menino usa um boné balofo e parece estar vestindo um vestido com mangas compridas, sapatinhos e meias brancas. Segura um ramo de flor, que está para baixo. Ele parece observar o tempo. É um aprendiz.

Escrito por nelson barroso às 11h56
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