apanho o amor que ficou na imagem espelhada
na lâmina da poça que colheu a lua
naquele dia ainda viço
de moço e moça nua
retiro com cuidado as digitais
e as guardo em meu lenço úmido do amor que faz os casais o seu vestígio
apanho o amor que ficou na imagem espelhada
na lâmina da poça que colheu a lua
naquele dia ainda viço
de moço e moça nua
retiro com cuidado as digitais
e as guardo em meu lenço úmido do amor que faz os casais o seu vestígio
Talvez porque eu já vivera muitos amores, ela veio a mim assim. Ingênua e feliz. Mal suspeitasse de que as intensões são traiçoeiras. Confiou seu discurso na esperança de encontrar alento? Não creio. O amor sabe da guerra em que está metido. Era somente cumplicidade e alguma parceria com alguém que já se metera com ele. Estava lívida. Uma pele rosada de apetite voraz conflitava com sua beleza. As palavras escorriam dos lábios forçadamente, pois, desejava. O amor brilha nos olhos, sorte daquele que usa óculos e não se deixa confundir. Não era para mim aquelas setas. Mas porque eu as roubava tive meu quinhão. Não é na sutura que o amor se instala, mas na fenda. Parece haver um risco constante na virada dos olhares. Uma procura. O amor sonda. Ela sorria solta, algum medo. Seu colo arfou. Lá estava uma fenda atrativa aos meus olhares. Uma saliência. Contou o tempo só pra saber que foram vários minutos dedicados a sua história de amor. Algum samurai entenderia sua eficácia. Ainda posso recolher de algum instante aquela cena eterna, aquele momento na adolescência em que sabemos que nunca morreremos. O cheiro no ar. O clima. As cores. A sensação de esperança e certeza que estaremos vivos. O amor é vivo. Se se esconde talvez seja porque gosta de brincar.
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