um homem se lava agachado junto a uma poça d'água na rua calçada, jogando com a mão as porções em seu coxi, enquanto com a outra segura firme uma sacola que parecia conter coisas que catou no lixo.
ao longe avisto duas crianças brincando na pequena calçada diante do portão do depósito que fica embaixo do viaduto - é uma via expressa - uma criança tem em torno de dois anos e a outra quatro. Os ônibus seguem velozes em fila deixando à margem esta cena.
um camelô rippe em pé aguarda não sei o quê encostado ao alambrado do passeio público. seus filhos cobrem o chão com folhas de jornal novo - espalham a notícia de que vão dormir por ali mesmo - estavam bem vestidos e limpos.
uma senhora lê sua bíblia acocorada na calçada de uma rua no centro do rio de janeiro enquanto um homem mija em pé na parede há vinte metros dela - ela vende algumas coisinhas num tabuleiro: pente, rotróz, lixa de unha, pilha, veda rosca, tampão para tanque. Ela tem troco para dez reais.
a carne estava exposta com sua cor vermelha. Havia tiras de gordura branca sob a péle crespa onde se via os pêlos duros mal queimados. algum sangue ainda pingava manchando o chão. tudo estava suspenso preso por um gancho de ferro. um homem afiava um punhal deslisando suavemente seu fio de corte num amolador de mão.


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