Viagens ao Inconsciente


24/04/2009


ENTROPIA

Acocorado à beira do caminho, mascando uma cânula de capim, Aristides observa uma fila de formigas cortadeiras enquanto aguarda suas cabras pastarem. Mas que diabos é meu pensamento que fica insistindo em querer saber a finalidade da existência de tanta coisa! Veja só como elas carregam aos pedacinhos a folha deixando este resto picotado como se tiverssem construindo uma coisa nova na imensidão das coisas que já existem. E elas nem sabem nada de tudo isso que está ao seu redor - até porque seus pequenos olhos não alcançam mais do que um palmo da minha mão. Mas posso elevá-la nesta palma a uma altura descomum para o seu pequeno corpo, e talvez ela possa mirar alguma coisa a mais. Que nada! Imediatamente faz da minha mão, do meu  braço, do meu corpo o seu mundo, ou pelo menos se vê num outro mundo que não é aquele da fila em que estava à caminho do enxame. Eu até  poderia imaginar que este tal lugar para onde está levando sua carga seja como a cidade. Eu aqui na roça, cultivo coisas que levo para a cidade, e que servirá aos seus moradores. Também essas formigas produzem coisas e as levam para sua cidade, mas, não sabem disso! Eu posso cismar que elas pensam, cantar um cantiga em sua homenagem que relate seus percalsos na lida, mas, por que apenas continuavam caminhando em seu alvoroçado passo minúsculo e atrapalhado toca-toca de antenas? Certa feita ouvi contar que as cigarras apenas cantam. E que cantam até morrer. Que não trabalham e pouco se importam com isso. Encontram sua comida já prontinha na natureza. Meu pensamento põe sentido na diferença, no movimento, poucas coisas cismo que sejam vivas se estão inertes. Que razão teria eu em ficar observando e colocando razão nas coisas? Talvez elas, em si, não tenham nenhuma razão, pois que pelo menos não a transmitem a mim. Não vejo no olhar do boi que masca a gosma verde do seu próprio bucho nenhum brilho de sentido que eu possa entender como se ele tivesse me entendendo. Ele masca, e só! Mas  não é uma pedra, está vivo. Se algum perigo lhe apresenta , seus olhos se esbugalham. Ele vai reagir. Mas não terá nenhuma magoa, ressentimento, saudade...Ele está quese completo, e, eu, totalmente perdido neste espetáculo do existir. Tão perdido e sozinho que não consigo nem do outro, do meu semelhante, algum alento, pois que este outro, embora me seja amigo, e fundamental companheiro, também está perdido e só em seu universo particular. É um milagre já saber que ele sabe que eu suponho que ele saiba de mim. Mas temos apenas as palavras para trocar, e como elas falham. Daí, alguns chagam até a abrir mão desta ferramenta e se entregam ao sentimento, à emoção, ao amor, na angústia e sina de aquietar-se numa alma forjada à ilusão.

Escrito por nelson barroso às 12h51
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21/04/2009


Desencontro tem, só no encontro

Talvez por isso insisto

Se desencontro em cada encontro

Cada qual deve seu insisto

Eu vejo nisto um encontro

O outro, não sei mas insisto

Pois se não desisto do encontro

É que desencontro nisto.

Escrito por nelson barroso às 19h07
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