Deixaremos as coisas de crianças, o prazer e a dor, viveremos o nosso trabalho na sua animalidade, pois este nos traz, pelo dinheiro, o conforto. Extrairemos daí o prazer e a dor diante da televisão e do com-puta-dor. Às crianças as coisas inventadas sem sentido, a arte; pensar nos causa, e é perigoso (vide o filme Fahrenheit 451, em que os livros foram banidos). Vamos quantificar o nosso viver; medir, pesar, alinhar, se um vizinho sumiu deve ser por erro de cálculo. Vamos falar de distâncias, de dinheiro, de gols, até da quantidade de prazer pela quantidade de poder. Vamos ser zoopolíticos. Somos modernos, não mais estamos no código do político que dava sentido à vida, agora somos animalisados e fazemos nossa micropolítica. Ficamos sem pai nem mãe após o Nazismo, as dualizações, a binariedade, retirou-se da cena política - estamos órfãos. O micropolítico não é imagem e semelhança do Estado, mas não queremos a sublevação. É melhor a televisão, o teletransporte, a transmigração dos corpos. Nestes, ainda encontramos algo que pulsa com uma intensidade um pouco mais perene - o sexo. Muitos o estão transformando em coisa vendável - para além do que sempre foi na prostituição - agora, o mercado é aberto, está em todo canto e vídeo. Tanto que já nem mais faz sentido o "orgasmonômetro". Temos futebol! E o controle da população é feito com polícia, guerra, religiões, e pequenas catástrofes - tudo comercializável.


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