Viagens ao Inconsciente


04/02/2009


O que mais marca: é a quantidade de afeto ou a manifestação, a direção, o olhar que aponta, o tato da visão? Que impressão foi essa? Que prata foi queimada por essa luz - o que releva?

Quase nada me deixou meu pai. Uma carta a sua irmã. Afeto. Uma grande quantidade de afeto espalhada na lembrança de todos. Basta falar no seu nome que essa marca aparece feito um fantasma. Toma nossos corpos e o ressuscita em nossos espiritos. Choramos sua ausência, felicitamos sua existência, sua estória. Podemos vislumbrá-lo como uma réstia entre as tábuas  do assoalho da lembrança - numa varanda alta, na rede, enquanto a brisa inicia a boca da noite quente, e as estrelas já brincando pois que anteciparam em muito a lua, medonha e enorme, amarelando um canto da serra escura e espatifando-se no correr das águas que cruzam as manilhas da ponte - em meus olhos refletem desritmados fulgis dessa luz dançante enquanto pareço navegar fitando meus próprios pés que balanço sobre o valão enquanto sentado na ponte, curtindo esse espetáculo fugaz.

Mesmo sabendo que haveria outro dia, outra noite, ainda mais uma, também me batia uma certeza triste que um dia tudo ia perecer. Eu não entendia, apenas sabia, e, isso me dava uma saudade antecipada - eu chorava.

Escrito por nelson barroso às 17h47
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02/02/2009


"Num mesmo coração há vozes altas, baixas e medianas, timbres de homens e de mulher: Nenhuma voz individual se pode aí distinguir; só o conjunto se impõe ao ouvido..."  ( Michel Foucualt)

Escrito por nelson barroso às 14h05
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