Viagens ao Inconsciente


02/01/2009


todo olhar tem sua pele

pelo menos que seja olhado

se de fora um olho se vê

outro de dentro é visado

Escrito por nelson barroso às 21h02
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31/12/2008


ABSTINÊNCIA

           Ninguém escapa ao desejo de pertencimento. Hoje é o último dia do ano. Um dia propriamente delirante. Com exceção dos "excluídos", milhares de pessoas estão embarcadas numa confraternização maníaca. Só pode ser por que não fazem muito isso durante todo o ano. Queremos pertencer: à imagem, á voz, ao significante, a alguém, mas, a falta é que nos potencializa, no entanto não uma pedagia da falta como querem algumas psicanálises - ou o ceticismo - a falta, não toda - o não todo - não toda verdade - algo fica de fora e faz significar. O imaginário nos engana momentaneamente e nos faz sucumbir na paixão - passion - "Seja mágoa, seja felicidade, toma-me às vezes o desejo de me abismar." (Werther). A função do orgasmo quis medir isso - prescrever isso - não deu certo - até ajudou alguns que estavam enredados em seus corpos - fazendo relicários, sem deixar a libido atravessá-los - corpos de linguagem - radical significante colado ao "não quero saber disso" - mas o quê desestabiliza? O quê do orgasmo não deixa só fazer? Dor, medo, morte - manter um cuidado do corpo cuidando de se retirar e deixando-o aos cuidados dos outros - a história precisa dos outros - um histérico sozinho é um paranóico - aquele que tinha que estar ali pra ver a cena de ele mesmo.

              Tudo poderia estar sendo diferente. Eu poderia estar hoje numa festa. Mas quis estar com você. E você com os seus. Teremos outras oportunidades, afinal ainda não nos conhecemos bem - o que até agora progrediu bastante, de "um pontinho" para um delírio auditivo - vários pontos de contato entre nós quando nos falamos e a coisa se estabeleceu. Um de nós pode impedir a continuidade disso - motivos talvez tenhamos vários - o meu, o maior, é a abstinência. Algo que tem me permitido sobreviver. Estar meio fora do gozo da palavra, do gozo, do risco, da continência da imagem. Não conheço ainda a sua imagem - tenho apenas um foto, de onde eu poderia criar um filme, mas a minha alucinação não é visual, é auditiva - eu te ouvi dizer! Isso fez o laço, toda diferença, uma ponte para um futuro possível. Abstenho! De querer pensar no que você pode estar fazendo nesta noite - no que você poderá estar pensando - se você vai me ligar. Abstenho! Ou deveria "me absmar"? Não vou! Vou ler. Tendo lido fragmentos de discursos amorosos, encontro algo para tecer - como fazia as fiadeiras - e faço essa conversa fiada, que não é retórica, é de graça, amorosa, faço pra você, você saberá! Não guardo memória do que nos falamos, guardo o sorriso, guardo a intensidade, o medo, a entre-linha com a qual teço meu presente pra você, minha Lou. (É Ano Novo) Nelson.

Escrito por nelson barroso às 20h21
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