Mas, enfim, o que vai fazer diferença? De tudo mais que eu disser, quando declaro insessantemente o meu amor aos quatro cantos na esperança de que alguém recolha e retribua? O momento em que alguém estanque o olhar que esvai espreitando a todos os olhares na busca.Alguém que venha trazer calma a disritmia intermitente que não pára o tempo mas o marca em cada batida com uma letra em brasa. Perco o meu tempo e meu amor sozinho. Não sou moderno. Desejo o outro. Desejo a presença desencontrada que seja, impropria que seja, mas que me engane a solidão. Que distraia a tristeza de existir consciente e me lance num delírio de corpo ou de alma, mas num lugar outro em que a ilusão da completude seja minha verdade pulsante. Momentos e mais momentos encadeados por ritmos de movimentos onde mesmo na contemplação eu possa ser amado e amar. Um lugar de não lugar nenhum mas que minhas mãos penetre em seus cabelos, toque em seu hálito, esquente em suas entranhas. Meu amor, tão singelo e rascante, vindo de lugares obscuros se reconhece numa explosão de retinas de retinas - quer um nome, quer uma língua, quer saber a que veio.