Viagens ao Inconsciente


26/12/2007


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Como se eu tivesse caído de um sonho erótico adentrei olhos abertos em tuas carnudas ruas úmidas enquanto recebia os primeiros raios do sol, ainda muito tímidos. A saudade sendo morta a cada passo como um pulso cortado me via sorrindo. Inflei seu hálito com a boca aberta, bem devagar, para não perder qualquer gotícula deste orvalho quente que reflui aos empurrões do sol que se demora ao nascer. Reparo detido a orgia dos pequenos pássaros e suas algazarras. Reconheço velhas casas e cepos de árvores que teimam na brotação exibindo seus frutos verdes e sadios. A manga com sal comida aos pedaços com um garfo, fazendo repuxar no alto do pescoço a glândula da saliva - como uma tara clandestina. Meto os pés nas poças limpas das águas da chuva que madrugou nesta manhã - uma filha debutante dança nos equilibrados paralelepípedos do calçamento. Todos ainda dormem? Vejo o primeiro entregador de pães varando como um cometa em sua bicicleta. Alguém já passa o café. Agora algum azul pinta no céu. Um besouro carrega um caroço de amêndoa comida a noite por algum mocergo. Uma pessoa na fila do posto de saúde cumprimenta-me. Ainda iria ver esta cidade no seu ritmo do meio-dia, imitando cidade grande.

Escrito por nelson barroso às 20h35
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