Não tinha ainda percebido que hoje é sexta-feira quando a encontrei, linda, com seu novo cabelo. O mundo não parou pra ver que apesar das coisas não precisarem dela é ela quem comanda todo o sentido. O tempo continua com seu esmeril corroendo a paisagem sem pensar na forma que vai deixando. Mas pra ela o tempo pensa ao passar - ela não sabe ainda que é única, sente-se parte de toda natureza; está colada, misturada, de tal forma que caminha pelas ruas como quem visita estrelas. E deixa o tempo passar.
Eu, apenas mais um distraimento dos seus saltos. Sem exuberar-se ela navega nas vitrines de cabeça oca. Não planeja se casar e me atropela com seus olhos verdes. A dona da coisa! Será que ela dá pra alguém? Talvez um rei ou um Deus! Talvez ninguém. Ser ninguém nessa hora é o mais sublime que alguém pode desejar.


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