O olhar não me obedece
Obseca por ti
Despe as linhas e se perde
Veste a mim
Toma conta de cuidar
Pra que o tempo não se estique
Além de tanto céu
Além de mim
Vejo em seu sorriso
O fascínio que a vida inventa
Meu amor ainda
Em seu olhar alimenta
É esse fio que nos liga
Atrás do travo na língua
Marionetando o desejo
À míngua, à míngua
Queria fazer favelas
No espaço do seu falar
E olhar com um olho gigante
As minas, as minas
Estão coladas ao muro
Lamentos que não são
As preciosas terras
De Wally Salomão
Toda perdição que suportam as palavras
Desenham as lágrimas secas
Quisera simplesmente reclamar
Um amor na aridez das peras
Não trazem no mar que comportam
Além do doce, algum veneno
Quisera simplesmente amar
Mas não o amor na acidez da espera
Enquanto o tempo suporta
Os espaços que cortam estórias
Importam às peras que esperem
Um amor que amadureça as horas
Se todas são iguais na maçã
Além da massa há semente
Espero no tempo do grão
A pera do amor perdição
Se tenho já em meus dentes
Palavras que a língua solta
No amor de pera adocicado
A maçã ácida esperada volta


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