Viagens ao Inconsciente


07/03/2007


comi sua carne congelada

com a gulodice de quem ama

fritava, enquanto meu sal te temperou

      (um orégano perfumado)

o som estalando quente em meus tímpanos

             música!  música!

sua cor queimada nas gotas de suor

pêlos eriçados tremiam ao calor

abri o pão como uma boca que mordeu

e deixou sangrar no miolo branco seu suco

                  (alho e óleo)

agora desce o bolo cego no escuro do meu esôfago

(deixando o gosto na memória)

enquanto se encaminha ao fecal

sua substância, aos poucos,

virando parte de mim

meus   líquidos

minhas carnes

meus ossos

(e s p a ç o)

    ponto

     final

       .

Escrito por nelson barroso às 10h15
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