comi sua carne congelada
com a gulodice de quem ama
fritava, enquanto meu sal te temperou
(um orégano perfumado)
o som estalando quente em meus tímpanos
música! música!
sua cor queimada nas gotas de suor
pêlos eriçados tremiam ao calor
abri o pão como uma boca que mordeu
e deixou sangrar no miolo branco seu suco
(alho e óleo)
agora desce o bolo cego no escuro do meu esôfago
(deixando o gosto na memória)
enquanto se encaminha ao fecal
sua substância, aos poucos,
virando parte de mim
meus líquidos
minhas carnes
meus ossos
(e s p a ç o)
ponto
final
.


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