Viagens ao Inconsciente


11/12/2006


Foge pelos becos feito valas negras a felicidade quando o céu acende o dia. Um humor que não é mau por natureza, mas apenas por que me traz esta cara-de-manhã vem e me olha no espelho. Perco ali alguns segundos refletindo sobre a vida, pois a imagem sempre foi muito forte em mim. Nem tanto pelos detalhes que estampam-se sobre o aço que ainda resta grudado ao vidro sete vezes quebrado, mas pela imagem do olhar refletido, repartido em cada um dos cacos colados feito um olho de mosca.

Volto ao lugar como os ponteiros de um relógio que sempre toca os mesmos pontos, no momento exato em que perde cada conto pro tempo que engoma o engano ilusiona o encontro dissipa o encanto. Ressucita-me da clausura total. Destes braços de pedra que me abraçam e me impedem de ver o outro.

Fantasmas aparecem ao fundo, na imagem espelhada. Alguém pergunta: Você se lembra da primeira vez em que viu sua própria imagem no espelho? Era o meu rosto. Mas eu não reconhecia. Estranhava, e quanto mais olhava mais via um horror se formando em meu olhar. Tentava conter. Olhava os detalhes. Nada era familiar. Agumas marcas feito letras: O que dizem? Como se inscreveram em minha pele? Em meu rosto? Sabia que era eu, ali, e me olhar. Mas por que não me identificava? De repente detive por um momento o olhar naquele olhar. E vi quando alguém, (uma criança) sorrindo, olhava por sobre um ombro. De quem era o ombro? Por que não olhou pra trás? Mas a criança sorria...suficiente!

Escrito por nelson barroso às 13h43
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