choram meus olhos
eu não
eles não refletem minha alma
tenho meu orgulho
nem sei muito bem pra quê
mas, tenho
meus olhos, orgulho nenhum
ficam a contemplar infinitos
sará que sonham?
com que sonham?
eu, não!
já tenho controle de minha sobrevida
e isto me basta!
já os meus olhos, espelham esperanças
felicidades...
deleitam em cores, músicas, leituras...
eu, nessa correria,
só penso no burburrinho das falas da tv
que sono me dá...
ah...meus olhos, isones
cismam de ler pensamentos
poesias, títulos...
ah! eles adoram títulos
por que será?
quanta bobagem...
eu sou prático,
não gozo no devir
se desejo realizo
nem percebo
realizo o que faço
já meus olhos, não
filosofam...
esticam a conversa
declinam pareceres
degustam sentidos
têm uma mania entorpecida
densa
será isso a substância da vida?
densidade?
eu gosto é do simples
do facilitado
até ouso uns descompassos
quando bebo
mas, noutro dia não me lembro de mais nada
só penso no comprimido
num fazer passar a dor de cabeça
pois é, a dor
meus olhos, parecem conhecê-la bem
não sei...
olhando assim, traz uma profundeza de dar dó...
será beleza?
eu, até admito discorrer sobre as doenças
tenho delas algum conhecimento
o que é bom pra acidez....rs
meus olhos, contemplam sombras
vêem fantasmas
contornos
prismas
cores
eu, sou fútil
mas tenho raiz
se ventar, me aguento
envergo em meu tronco
endureço, mas não quebro
ah... meus olhos
se pudessem ver como eu
não choravam mais


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