Viagens ao Inconsciente


15/04/2006


MENINOS NA RUA

Faço o caos

Uma exposição das misérias

Minhas e dos meus outros

Pois já não caibo em mim

 

Inconformado

Recrio a vida

Enfrento o medo sem remédio

Sem rock, sem João

Caneta e os pés nas núvens

Não há mais chão

Os grileiros grilaram tudo

 

Onde estão meus parentes

Faço dos "bons" minha filiação

Do amor, minha torta religião

 

Rearranjo os signos

Remonto mitos

Lógicas,

Sensibilidades,

Nada fácil!

No caos que se me apresenta

Apresento-me

Presente!

Tenho um nome a zelar

Uma descendência nobre

Vinda dos povos sem lar

 

Componho uma etiqueta

Forjada dos restos

Novíssimos dejetos

De quem se bastou

 

Modelo meu corpo com o peso que carrego

Chic é vir ao mundo falar

Entorto meus músculos

Te faço me olhar

 

Na dança

Contornando o ritmo

Surpreendemos os deuses

Pague seu ingresso

Com o desconto que tem

Meu teatro na rua

Dinheiro pouco

Equilíbrio social

Nós somos os aristocratas da democracia

 

Não veja

Não ouça

Não fale

Analfebetos líricos

Lêem meus gestos

Black tie carpe diem

Acumulamos riquezas nas naus inconscientes

Se invento um deus

Pra essas gestes

 

Anda pombos!

Pulam passarinhos!

Coleiras, colarinhos...

Tenho um defensor no Rio

Um promotor em Paris

Seu juiz,

Faço minha auto defesa

Pena máxima!

Abre corpos

Livre minha alma

Regurgitarei seu nome

Cola minha fome

Não me coma ainda magnífico deus

Pretendo ir ao cinema com a minha namorada.

Escrito por nelson barroso às 15h44
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