MENINOS NA RUA
Faço o caos
Uma exposição das misérias
Minhas e dos meus outros
Pois já não caibo em mim
Inconformado
Recrio a vida
Enfrento o medo sem remédio
Sem rock, sem João
Caneta e os pés nas núvens
Não há mais chão
Os grileiros grilaram tudo
Onde estão meus parentes
Faço dos "bons" minha filiação
Do amor, minha torta religião
Rearranjo os signos
Remonto mitos
Lógicas,
Sensibilidades,
Nada fácil!
No caos que se me apresenta
Apresento-me
Presente!
Tenho um nome a zelar
Uma descendência nobre
Vinda dos povos sem lar
Componho uma etiqueta
Forjada dos restos
Novíssimos dejetos
De quem se bastou
Modelo meu corpo com o peso que carrego
Chic é vir ao mundo falar
Entorto meus músculos
Te faço me olhar
Na dança
Contornando o ritmo
Surpreendemos os deuses
Pague seu ingresso
Com o desconto que tem
Meu teatro na rua
Dinheiro pouco
Equilíbrio social
Nós somos os aristocratas da democracia
Não veja
Não ouça
Não fale
Analfebetos líricos
Lêem meus gestos
Black tie carpe diem
Acumulamos riquezas nas naus inconscientes
Se invento um deus
Pra essas gestes
Anda pombos!
Pulam passarinhos!
Coleiras, colarinhos...
Tenho um defensor no Rio
Um promotor em Paris
Seu juiz,
Faço minha auto defesa
Pena máxima!
Abre corpos
Livre minha alma
Regurgitarei seu nome
Cola minha fome
Não me coma ainda magnífico deus
Pretendo ir ao cinema com a minha namorada.


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