Viagens ao Inconsciente


22/07/2005


O DIA DOS AMANTES

Na carne da sua boca sacio meu desejo

Meu espírito treme no seu sorriso

Corpos e almas em comunhão

É o dia dos amantes!

Portões testemunham

Guardas enrubecidos

Postes não se aguentam em pé

O céu se mostra lilás

Seus olhos roubam os últimos raios do sol

e se tornam mais brilhantes

Abacates caem aos seus pés

Invejam suas cores

Ritmos se comportam

Co0mpõem jazz nas cordas da alta tensão

Nas linhas do asfalto

Nos rasgos vítreos da luz quebrada nas vitrines

 

Exuberantes flores insistem em competir expondo suas peles furta-cores em arco-íres

Que roubo e enfeito seus cabelos

Ondas morrem na sua praia

E mesmo não querendo, são tecidos de renda

a ti vestir em branca transparência

Eleva aos áres gotículas na maresia que te serve o sal

Tempero pra sua língua

Água pra sua sede

 

Recebe seu corpo morno em desenho a area invejosa

Deixando-se delinear suas curvas

Como pegada ardorosa

Escrito por nelson barroso às 14h02
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18/07/2005


DRAMANDO ALGUMA COISA

Vespas cobrem de drama um céu de chumbo

Visíveis seres conturbados contorcem em angústias

Descem aos infernos

Madrigais queimados mostram-se como cadáveres

Escarnecedores se ajuntam para gozar suas sádicas olheiras

Tudo vil

Tudo fúnebre

Em seus passeios vespertinos os vermes deleitam a carne morta, ainda suculenta de sangue

Retorna do Real apavorante vozes imperativas: MATE-SE! MATE-SE!

 

Num quase orgasmo a vítima ainda tenta um último suspiro

Mas onde está o ar?

Fugiu de si toda coragem que encobria sua fraqueza

Trêmulo, gagueijante, pronuncia grumidos ininteligíveis

Será tudo isso uma ficção?

 

Um anjo de olhos azuis sobrevoa a cena

Há qualquer coisa em seu semblante que não me convence

Anunciara alguma derradeira profecia?

Apocalipse? Tsuname? 11 de setembro?

Roberto Jeferson? Relógio de ponto? Exame de próstata?

Mulher engordando?

Tento pensar que é um sonho, ou pesadelo..

Me belisco. Apavoro enormemente

Não acordo e sinto dor

 

Serei um advogado que perdeu o prazo da audiência para defender um homicida inocente?

Serei um sujeito pacato indo buscar o resultado positivo do exame de HIV?

Um fiscal trabalhista em frente a um fazendeiro escravocrata?

Um intoxicado na fila do SUS?

Um paciente internado num hospital psiquiátrico?

Um feto retorcendo-se nas trompas de falópio?

Uma cerveja quente? Um cachorro frio? Um vinho doce? Um cigarro? Uma cigarra no último canto? Um canto em desafino total?

Fumaça no olho? Alvo da bala perdida? Um presidente do Brasil?

Um psicanalista dando conselho? Um pentelho na garganta?

Uma espinha de peixe? Cordas em feixe a espera do algoz?

Ressaca de vodca? Oasis falso? Filho perdido? Mãe puta? Amputação? Joenete no mata barata? Assalto a mão armada? Mulher barbada? Peruca masculina? Camisinha furada? Ejaculação precoce? Dor de dente? Enxurrada? Queimadura? Tortura? Paixão inocente? Visão turva? Demente?

Calo, hipinge, banguela, tumor, furúnculo, mulher falsa indecente?

Rasgo o verbo

"Desço a ripa"

"Como as tripa"

Releio Os Lusíadas

Ouço um hap

Uma ópera

Espero que ela decida

Vejo o tempo a contar seus menos...

Subo de frente a montanha lisa. (PT, saudações)

 

Escrito por nelson barroso às 10h46
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