Viagens ao Inconsciente


19/03/2005


TEXTO Nº 001

Psicanálise: o gueto da formação

A psicanálise precisa de um instituto?

Se há algum estatuto possível para a psicanálise não vejo outro que não seja a fala. O que se escreve institui-se como marca literária (teoria?). O inconsciente é mesmo passível de ser teorizado? Ao não se permitir, ou pelo menos, não se conformar às instituições, esta prática segue um caminho caótico no âmbito acadêmico. Várias tentativas foram propostas de uma "oficialização" da psicanálise. Uma espécie de colcha teórica constitui-se e engorda o que já há constituído para dar sustentação à formação do psicanalista. A originalidade de sua prática, que surgiu no âmbito da medicina, estaria sufocada por toda uma gama de proposições instituídas em "associações", "escolas"? Talvez não, mas questiono:

1 - Há uma propaganda (direta ou/e indireta) sobre a legitimidade da formação do psicanalista?

2 - Há um movimento de abandono dos consultórios (tanto de analisandos quanto de analistas) e que indica como causa uma espécie de economia - já que não há uma produção "natural" de clientes que procuram a psicanálise. Talvez seja mais racional estabilizar-se entre as ofertas "mais baratas" de formação, e arranjar algum emprego paralelo? O serviço público tem possibilitado a muitos psicólogos, principalmente, uma sustentação de desejo pela formação, aliada a prática - pois aí encontra-se clientes com mais facilidade, visto ser oferecido pelo estado o serviço, ou seja, não se paga diretamente por ele. 

4 - Um questão que se coloca, e que parece ampliar-se no tempo: Por vários motivos, os psicólogos parecem desistir do atendimento individual. Muitos estão engajando-se aos programas de saúde: mental, família, coletivos, CAPS, hospitais dia, etc. Onde são priorizadas práticas grupais, onde a psicanálise comparece timidamente em algumas versões questionáveis na forma do grupo terapêutico. O peso maior acenua-se nos modelos mais livres dos grupos de convivência: oficinas, grupo de conversas, de família, etc. Mesmo a prática psiquiátrica tem sido feita em "grupo de medicamento". Modelo de uma política de atendimento? Certamente, mas, cabem algumas questões!

    Se eu fosse um desenhista eu desenhava bem; não ficaria ao sabor de uma inspiração que me sobreviesse como se desenhar fosse uma psicografia. Mas, quando se fala de psicanálise os parâmetros de bem ou mal não se enquadram como num desenho, no entanto, posso desenhar, posso ser um artista que desenha e não sabe desenhar, mesmo sem ser um "médium". A arte tem destas coisas! Estaria a psicanálise mais para uma arte do que para uma medicina? Não é nenhuma novidade esta questão, mas ela se faz presente quando assistimos um recrudescimento da ciência médica (vide a recente questão do "ato médico"). Questão de mercado? De poder? Talvez estas duas nunca mais estiveram separadas após a instalação definitiva do capitalismo como "modo de vida".

  

Escrito por nelson barroso às 22h19
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Olhos que fitam

enquanto aguardam

O desejo dá conta

Olhos que buscam

pela via do sintoma

pela via da palavra

pelo gesto

Lugar desprivilegiado,

pois amarrado que foi

à ciência curativa

Atravessa nas falas

o anceio do "bem estar"

Mente, qual será o seu lugar?

Escrito por nelson barroso às 22h08
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Molho meu rosto

Um engano me engana

Discipa às claras

O simples que eu era

Agora questiono:

Questionar só me resta

Me resta só questões

E o que se havia de ser?

Escrito por nelson barroso às 22h04
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Estou esquecido

Mas, de quem?

Esqueceram-me

Ou fui eu que me lembrei?

Tempo rude,

Ao me fazer esquecido

Me coloca de volta

o aquém...

Escrito por nelson barroso às 22h02
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Na idade em que a velhice vem mostrar sua cara

Um senhor solicita:

Aposento?

Recolho a vida que dei corda?

Faço um laço de forca ou de força?

Escrito por nelson barroso às 22h00
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Uma senhora em pânico

Veio a mim e falou:

Filho, escute

Não vejo mais graça

O que enguiçou?

Ontem mesmo eu me lavava

Agora engorduro meu corpo

Inscrições que se acumulam

Venha me ler

Traduza quem sou

Escrito por nelson barroso às 21h58
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viagem inaugural

No caos, pensei

No verbo, me perdi

Na rima, ouvi

Na cama, sonhei

Carrega meu corpo

Minha história

Minhas marcas

O que ficou perdido

Escapou ao corte

 

Escrito por nelson barroso às 21h40
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