Viagens ao Inconsciente


20/01/2011


verão

um certo cheiro

verão

o amor pupila

cristais em suas pele

brisa

nos lábios lábios

nas línguas

línguas

Escrito por nelson barroso às 22h44
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02/11/2010


virtualidades reais

Do nada, sou a revelação

Aquele que se apresenta na luz dos relâmpagos

E eterniza os momentos

 

Me abismo na vertigem do mundo

Onde te encontro bordeada

Dançando a sombra da lua

 

Tateio sua essência evaporada no todo

Inspiro num fôlego sua vida

E te escapo pra dentro de mim

Onde seus desejos serão meus

 

 

Escrito por nelson barroso às 10h01
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16/09/2010


de pessoa

se toda poesia nega a morte

de dentro dela

sonho

talvez com sorte

rasgo-lhe o céu

e no seu avesso

no fundo de tudo

um giro

um furo

se alguém me vir por aí,

avise-me!

Escrito por nelson barroso às 07h08
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07/08/2010


ocOSOco

ela foi paraty

suas calçadas

nesses dias lentos

quantas letras encontrará

ela foi embora

voltará

paraty

passagem de volta

ouvindo ingleses

e eu aqui o telefone

toco blues

e fogo no vácuo

paramim é aqui

dias ocos

soco e nada

e você por aí

as pedras paradas

sustentam meu peso morto

e sóbrio

paraty eu fiz essa canção

se voltar

se for em vão

posto aqui

en/cerrado coração

 

Escrito por nelson barroso às 05h03
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20/07/2010


Marina, rendas e prendas

Comprometeu-se Marina com um sujeito que tinha sopro no coração. Acorrentada às suas lábias, a perspicata guria come seu fígado ao alho e óleo dia após dia. Todo visgo não era suficiente para prendê-la. O sujeito, já um tanto em desatino, passou a dedicar-se a arte da perfumaria. Achou que pudesse encontrar um odor que a hipnotizasse de tal modo que ela não mais desejaria luz de luar, sereno de rua, nem botequito algum para saracotear seus dotes aos olhares bêbados de anônimos felizes. O sujeito, que tinha aspecto esbelto, teria vindo há algum tempo da cidadezinha chamada Dog Ville. Escapara da chacina um pouco antes da tal denúncia  que levou os gangsters àquele ex-infeliz não lugar. Ter nascido em Dog Ville deu a ele uma alma um tanto exótica; embora a ironia lhe fosse respiração não dominava completamente o controle que tentava insistentemente ter sobre seu sentimento amoroso. Mas devemos ter o cuidado em traduzir esse amor de uma forma mais pessoal. Entenda-se, o sujeito tinha suas singularidades no experimentar o gozo libidinal. Marina não era a primeira que ele conseguiu um certo domínio. A coisa não funcionava se fosse fácil. Oferecia o seu fígado mas tinha que ter em troca o gozo. E aquela que se enredava aos seus dizeres, histórias, contos, lábias, e carícias mansas não poderia ficar tão entregue. Havia de ter uma tensão que fizesse alimentar o fel. A pólvora fora derramada em trilha até chegar bem perto do coração soprado do sujeito quando num dia frio Marina saiu pra comprar cigarros...

Escrito por nelson barroso às 20h42
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15/07/2010


Você livre em mim

E tenho você dentro de mim

Em algum lugar

Me reconhecendo

Na imensidão do que devo ser

Se você sai,

leva de mim a maior parte

Antes vazio que tão partido

desta parte que é você

e

Que sempre leva de mim

Deixando sua  voz

Falando comigo

É assim que me deixa seu corpo

de vozes, agora

e se apresenta em mim

Respiro seu hálito sem beijo

É você quem me febre

Sinto frio, tremo

convulso ao dormir

Ao acordar,

uma química ainda circula em meu sangue

"Você é o que não acontecerá"?

 

 

Escrito por nelson barroso às 12h49
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11/07/2010


Não importa

Letra morta

Quebro um verso

Que entorta

Não importa

Se eu pedi pra ficar

Não importa

Quebro o vidro

Inês morta

Se o amor amar

Que importa?

Rima rude

Verso volta

Se você chorar

Não importa

se eu pedi pra ficar

Abro a porta

Hoje amar importa

Hoje amar importa

Hojeamarimporta

Escrito por nelson barroso às 17h35
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26/05/2010


comemorando 10.000 entradas, criei um novo blog para textos...visitem!!

http://atodescritura.blogspot.com

 

 

Escrito por nelson barroso às 13h37
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18/05/2010


felicidade

E a calada palavra vem
Na sombra do que se diz
Grita num sussurro mudo
É no sonho que sou mais feliz

Escrito por nelson barroso às 11h24
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BRUXANA
 
Que mal que você me fez
Que coisa boa
Eu nunca mais vou amar
Que coisa atoa
Mas na verdade
Te ligo
Só pra conversar
Falando sério
Na boa
 
Por que me instigou amor
Se só faço com pessoa
 
Dançou meu olho num vesgo
Do Rio de choro, de jazz
Vamos sambar no rock and rol
Eu sou passista, yes
Na tua escola, oui
Passista na tua cola
Eu vou...eu sou...

Eu sou...eu vou...

Escrito por nelson barroso às 10h57
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09/05/2010


mexicano

Hoje eu acordei como um morto. Não ouvi o despertador que tocava às sete da manhã; era aula de grego. Tomei banho, me vesti, escovei os dentes, fiz a mochila e parti. Como quase sempre vejo o ônibus passando e imagino-me mais atrasado ainda. O próximo não tardou muito e gostei um pouco de ter pago um preço menor. Coloco os fones de ouvido, rádio, mpb, fm, e ouço. Após dez minutos, engarrafamento. Canso da música apanho um livro. Vergilio Ferreira. "Aparição". Um morto não chega atrasado, isto já me dava algo. O engarrafamento era longo e lento, não como um morto novo. Os mortos velhos parecem se arrastar: quando se dará a extinção completa de sua memória? "O homem é um animal urbano". Os outros animais desaparecem assim que morrem, e seja na cidade, no campo, ou na selva, viram exterco da terra. Nosso pó é antecipado em vida para que nos tornemos eternos. Mas eu nem pensava nisso enquanto lia o livro, meu pensamento era quase todo ocupado pela leitura que fazia. Quando me figua o eu, um outro se apresentava pensando junto comigo na leitura e me atrapalhava a fruição. Decido pela leitura. O sujeito se retrai, mas retorna. Bate à porta com uma mensagem: enunciação, enuncia-ação; e meu corpo responde: re-age. Faço alguns movimentos espreguiçando-me. E continuo ali. (Será que ela vai me ligar? Será que ela ficou chateada porque eu não liguei? Mas que mimada. Eu não vou mesmo correr atrás dela!). Em silêncio procuro a minha voz. Quero cantar um canto animal que a desperte do sono morto de ser um ser humano. (Será forçar dizer: o sono morto de ser uma mulher sem fogo?). Eu não percebia o quanto havia em mim de morte que me fazia esperar do outro a vida - o meu fantasma me equivocava na visão: eu precisava ver a sedução encarnada para realizar meu desejo.

Dá um cansaço pensar no quanto uma mulher pode tripudiar no sexo. No quanto ela prefere falar - falhar em seu gozo contínuo - se não transformar em orgasmos múltiplos, transforma em palavras - pa-lavras - se pergunto o que quer. E se não pergunto. Continuamos falando se achamos que falamos para nos comunicar. Se descobrimos que falamos porque não tem jeito - talvez alguns parem de falar. Falhamos e continuamos e casamos. Fazemos política o tempo todo, não somos animais. Queremos fazer sexo, mas, não precisa. A perpetuação da espécie já está garantida nas células, nos gens e nas babás. Fazer sexo pode ser qualquer coisa - hoje tem internet. Sexo está capturado pela linguagem. Sexo está capturado pela imagem. Sexo está capturado pelo desejo. Sexo está Capitu - penso em seu olhar. Eu poderia trepar com um animal, mas meu sexo está capturado no amor. Foi uma aparição quando me percebi...

 

 

Escrito por nelson barroso às 15h19
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29/04/2010


Sobre ler

Pra que viver sem ler a vida? Diante desse caos nos resta ler. Que trabalhe quem quiser. Que tenha família quem quiser. Que se entupa de coisas, de carros, de flores, de bebida, de parafusos, quem quiser. Algum grande mal em prescrever leituras? Vivemos num mundo de prescrições. Quase impossível não prescrever - talvez somente os "ontologistas" consigam escrever sem prescrever. Relativizo a palavra e já encontro-me entre pares. Alguns conseguem trocar ideias usando palavras. O que dizem? Sem abusar do acento circunflexo. Detenhamo-nos na superfície.

Escrito por nelson barroso às 18h35
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25/04/2010


Assimentendossualma

Sevocêquiserfalarcomigodeamor. Jásereiseuamadoíntimo. Mortonoversoanterior. Revificadoseguinte. Tornoadizermeuamor. Sereiseuversoinvertido. Trançadoempeledepalavra.

Escrito por nelson barroso às 11h17
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24/04/2010


pra ficar te olhando... e A Ponta do Sonho

 Era como uma pedra ribanceira abaixo a cada toque me fazia girar ora num sentido ora noutro ora até ficava imóvel só:

a carne interditada na ordem das palavras criava um caos nos meus sentimentos: uma vinha apaziguar a seguinte me confundia na sequência eu ia rolando tentanto ver se havia algum lugar para a âncora. Nada perguntava, sondava, espiava, alguns toques, e a pulsão? Era só encantamento sendo mantido de perto como um imã que ainda não achou seu ponto de deslocamento em direção ao outro. Desejo. Não fazia o menor sentidoficar produzindo desejo? Adiando. Orgasmo. Sono. Palavras. Sim. Toma! de assalto. Medo. Apele. A pá lavra. apalavração. cala da boca a palavra que corta o fluxo do gozo. Até o riso. o rizoma. A planta do pé. Eu não vi quando você não me olhou. Só vi você ameolhar. Ame olhar a me olhar...ah meu olhar que não quer parar de mais te olhar demais te olhar de mais da conta do conto da ponta do sonho...já que li, né?!

Escrito por nelson barroso às 17h55
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17/04/2010


Clarice nos rins

Clarice me deu um chute nos rins quando quis saber um pouco mais sobre uma certa sensibilidade que ela andava deixando escapar ao se defender das minhas insistentes cantadas. Claro que havia um olho coçando em torno das minhas espetadas. Era tudo tão presente e até ficava bonito. O desejo é mesmo assim, vai traçando seus desenhos e pouco se importa com o sujeito. Paradoxal? Claro. Estamos no campo da linguagem sem sair do corpo biológico. O gato de Clarice anda causando umas confusões. Ela chega em casa cansada do trabalho, mal põe os pés na sala, ele já vem todo carente se esfregando em suas pernas. Pula no seu colo e se esfrega com o rosto. De olhos fechados parece gozar com os carinhos que ela lhe faz (gato tem rosto?).

Clarice é médica veterinária há quinze anos e desde pequena ama os animais. Até brincava com pequenos humanos, mas os estranhava muito. Não conseguia entender o desencontro entre as palavras e aquilo que eles faziam, com isso o que se chama sentimento ficava soando falso. Tinha sonhos nos quais conversava horas a fio com gatos, cachorros, porcos, e até com alguns insetos mais evoluídos - nestas não havia o molestar das conversas como naquelas que tinha com seus amiguinhos. Os animais a compreendiam. Falavam coisas fúteis mas também teciam longos discursos sobre temas filosóficos como a felicidade, o bem, o cosmo, Deus, o mau...

"Os animais nos amam só para suprir nossa carência afetiva." Esta frase ambígua caiu como uma bomba no imaginário de Clarice. Ela pegou de um leão que havia na casa de Silvéria e o esfregou na minha cara. Tudo esá documentado em vídeo no youtube. Foi uma forma de se esquivar do fantasma que rondava seu  quintal. Aquele leão desmilinguido não depura nos rins as contradições que surgem nas conversas entre humanos, talvez, principalmente, entre homem e mulher. Mas não deixa de ser engraçado ver os bichos cheios de prazer. Isso capturava Clarice que passava horas conversando com o olho seu gato.

De tanto gozar com os bichos Clarice não percebia que seu timbre se modificava. Com o passar dos anos vinha nutrindo um desejo oculto de palavra perfeita. Cumpria seus compromissos com uma impecável precisão. Seus compromissos profissionais: cuidar, no seu hospital, das doenças dos pequenos animais que lhes eram trazidos com muito sofrimento pelos donos. Seus compromissos financeiros: Tirava um tempo do seu dia para realizar a contabilidade pessoal, confirmando o desenvolvimento dos seus investimentos, sempre crescente. Não tinha muito apego à família. Morava sozinha numa casa simples e confortável. Uma secretária vinha duas vezes por semana cuidar da limpeza. Clarice lia bastante literatura e não somente coisas de uma profissional ligada na saúde animal. E gostava de garimpar na web pessoas inteligentes, ou seja, alguém que lhe fizesse companhia por algum tempo, conversando no seu idiorritmo. Assim meio fora de toda ordem cotidiana em que ela pensa poder cumprir quase cronologicamente. Clarice deseja este lugar na palavra. Por isto garimpa a céu aberto esta fantasia que pode se realizar num plano quase fora do apaixonamento, num plano amoroso tal como uma atitude. Este novo campo extendido pela web pode permitir a Clarice experiementar sua solidão socializada nas distâncias. Como certa vez lhe falou um amigo, o Roland, "é o páthos das distâncias", citando Nietzsche. Talvez a web seja uma extensão do que ocorria no monte Atos, quando havia um grupo de monges que viviam cada um no seu próprio ritmo, ou seja, em idiorritmia, só que agora, se nos comparamos a eles, teríamos a rede nos interligando, mas a essência monastérica permanece. Estamos cada um em nossas celas.

         nada disso mesmo!!!!

         muito longe disso

         Isso é um imaginário comercial....reducionista....do quê falo não se fixa em amorosidades efêmeras..

O prazer ronda o sujeito em Clarice. A felicidade aristotélica. Mas ela se transforma. Ela fala, fala, fala. Goza. Mas não sabe que goza. Não fala disso. Não é como os seus bichos com os quais conversa depois de alimentá-los. E mesmo antes. Eles fazem amor em qualquer lugar, na frente de qualquer um, com qualquer um que esteja no cio. Clarice não procurava o cio do ser humano, mas se perguntava sem parar sobre isso. Certa vez namorou um sujeito que só queria transar em cima da mesa. Na primeira vez ela não estranhou nada, até achou sensacional ter sido colocada na posição de comida. E assim foi longamente degustada pelo sujeito e os dois tiveram orgasmos múltiplos naquele santuário reservado ao alimento. Tudo bem. Clarice não é devota ao cristianismo. Mas quando pela quarta vez o sujeito se encaminhava para assentá-la na mesa, ela pirou.

Escrito por nelson barroso às 20h39
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